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domingo, 12 de junho de 2011

Parque Escolar: escolas de luxo financeiramente ruinosas

A Parque Escolar acumula uma dívida de quase 2 mil milhões de euros. E a orgia despesista promete continuar. Os técnicos da Parque Escolar percorrem o país para convencerem diretores e autarcas a aceitarem obras de requalificação em edifícios escolares em bom estado.

Quem critica o despesismo e o luxo é acusado de ser contra a escola pública. 

Não está em causa a beleza dos edifícios que a Parque Escolar requalificou. Ou as melhorias evidentes na ergonomia dos espaços e equipamentos. 

O que está em causa é a capacidade de o Estado poder pagar os custos elevados das escolas da Parque Escolar. Correm notícias não desmentidas de escolas que triplicaram as despesas com a eletricidade, água e gás.

A Parque Escolar vive e age como se Portugal não tivesse sido resgatado pelo FMI/BCE/UE e não estivesse obrigado a cumprir um plano rigoroso de redução de despesa pública. 

No médio prazo, estas escolas exercerão uma pressão enorme no orçamento da educação. Das duas uma: ou terão de ser privatizadas para aliviar o Estado de uma despesa galopante ou os diretores das escolas terão de desligar a climatização, reduzir o consumo da água e fechar espaços.

E já nem falo nos defeitos de construção. Inundações nas bibliotecas sempre que chove com mais intensidade. Infiltrações de água nas salas de aula.
 

Nem estudam nem trabalham

As "acampadas" em Madrid, Barcelona e Valência, bem como as iniciativas semelhantes que ocorrem na Praça do Rossio, em Lisboa, são deveras perturbadoras.

Dezenas de milhares de jovens espanhóis e várias centenas de jovens portugueses ocupam há quase uma semana, dia e noite, praças emblemáticas, pernoitando nelas em condições precárias e ocupando os dias a realizar meetings e votações de braço no ar.


O que leva estes jovens a desperdiçaram dias e noites em longas discussões e votações que não têm qualquer préstimo nem consequência?

Estes jovens têm razões para estarem descontentes com os políticos que governaram o país nas últimas décadas. Mas não é exigindo mais do mesmo que os problemas se resolvem.

As propostas aprovadas de braço no ar por escassas dezenas de jovens insistem no agravamento das condições que conduziram o país à bancarrota e a uma taxa de desemprego juvenil que ronda os 40%.


Mais impostos, mais interferência do Estado na sociedade, na economia e na vida das pessoas só afasta o investimento. Sem investimento não há criação de emprego.

Alguns destes jovens não estudam nem trabalham. Desperdiçam tempo e energia. Por que razão não concentram o descontentamento e a raiva em atividades produtivas? Aprender inglês, por exemplo. Emigrar. Fazer um novo curso que tenha maior empregabilidade. Criar um pequeno negócio.

Estes jovens pedem mais Estado, empregos seguros e democracia participativa. Ingredientes que levam qualquer país ao desastre.

Ver jovens de vinte anos que desistiram da vida, que são incapazes de dar vida aos projetos, que se deixaram vencer pela desesperança e indolência é algo de muito perturbador. Mas é também um sinal do fracasso da nossa educação e das políticas económicas e sociais das últimas décadas.


Estes jovens são as principais vítimas das políticas inimigas da criação de riqueza. Só com políticas amigas do investimento, das empresas e dos negócios é possível criar esperança para estes jovens. Infelizmente, o que eles exigem na acampada da Praça do Rossio é exatamente o contrário. 

Os melhores emigram e fazem muito bem. O país, tal como está, não se recomenda.